Veja na íntegra, entrevista com Guilherme Lima - Fundador do Instituto Muda Brasil


Há 14 anos, Guilherme Lima e alguns amigos começaram um envolvimento com uma comunidade carente nas águas Espraiadas, na grande São Paulo, quando dois incêndios consecutivos atingiram a comunidade deixando centenas de moradores desabrigados.

Destes, oito (8) meninos foram levados por voluntários da Igreja Presbiteriana e Aliança para um local seguro, outros 30 passaram a viver em uma casa alugada por eles e o que era pra durar apenas 3 dias, tornaram-se 6 meses! E a convivência, a amizade e o relacionamento criado entre eles, trouxe a tona a necessidade não apenas do abrigo, mas de gerar esperança e transformação.

Professor de educação física e treinador de futebol então, Guilherme, recebe o apoio do Clube Paulistano, que também abre suas portas, usando o esporte como principal via de desenvolvimento, e futebol como uma atividade atrativa para tirá-los das ruas. Centenas de famílias das comunidades são atendidas pelo projeto e novas parcerias abrem a possibilidade de ampliação, que começa a abranger outras formas de atuação, incluindo artes e entretenimentos e cativando aos poucos o coração e a confiança da comunidade local.

Em um velho galpão nas proximidades da favela nasce então o Projeto Geração Vida Nova, que mais tarde viria a se tornar Instituto Muda Brasil.

O que você enxergou naqueles primeiros dias? O que te fez dedicar toda sua vida por esta causa?

Um país com bastante desigualdade. Eu vivendo confortavelmente e este choque com a realidade de outros me causou uma inquietação... Porque eu estou em um momento tranquilo e tantas pessoas passando necessidade? O que eu posso fazer? E o que me fez dedicar a vida a isso, é entender que somos parte da resposta e a vida faz mais sentido quando a gente ajuda, quando a gente se movimenta em direção do outro nosso propósito de vida entra no eixo.

Os nomes escolhidos para o projeto “Geração Vida Nova” e “Muda Brasil” remete a uma transformação de vida! Como você sente que pode gerar esta transformação?

Primeiro, é preciso se movimentar, ser criativo e colocar a mão na massa... Acredito muito, também, no trabalho de instigar outros a fazer o mesmo. Acender essa chama em outras pessoas! A começar por aqueles, que hoje, estamos empenhados em ajudar. Nosso foco é formar jovens mais concientes de suas potencialidades, de seus direitos e deveres e ajudá-los na formação do seu caráter e também gerar oportunidades para que ele possa ter acesso às condições que vão ajudá-los a não apenas mudar de vida, mas a serem estes agentes de transformação do país na sua própria área de atuação. Queremos também unir o primeiro, o segundo e o terceiro setor da sociedade, gerar pensadores para trilharmos juntos caminhos de mudanças.

Qual a mudança que você realmente espera ver no Brasil e como acha que o Instituto Muda Brasil está contribuindo com ela?

Eu gostaria de gerar a mentalidade de “ser a mudança que você quer ver no mundo”. Eu gostaria de ver um país que não olhe só para si mesmo, que pense no outro.

Você está à frente do Instituto Muda Brasil há quase duas décadas e com certeza, se deparou com muitos desafios ao longo dos anos, Qual você diria que foi o mais difícil de todos?

Pensando em qual foi o maior desafio de todos, acredito que foi manter um sonho sem um apoio financeiro de grande peso. Nós nunca tivemos um apoio exclusivo de ninguém, mas por outro lado, eu encaro isso como parte da nossa história, de quem nós somos, foi mui